Escola do Paraná abusa dos alunos.

Postado em 16 de julho de 2015

Falta de ética come solta em escola do Paraná
Íntegra da entrevista do coordenador do ESP, Miguel Nagib, à Gazeta do Povo, sobre prova aplicada a alunos do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos AYRTON SENNA DA SILVA, de Almirante Tamandaré-PR. Para entender a controvérsia, consulte os documentos abaixo (25.06.2015):

1 – Avaliação aplicada aos alunos;

2 – Textos que serviram de base à avaliação: A Greve termina com perdas para educadores (as); Beto Richa contra a sociedade; Beto Richa pede perdão; Beto Richa renuncia; Black blocs e Beto Richa; Governo não dialoga, ataca; Luto na educação do Paraná; Ministério Público de Contas do Estado do Paraná condena a Lei da ParanáPrevidência.

1 – O que o senhor acha da atividade? É uma proposta adequada dentro do que é aceitável como conteúdo pedagógico?

Os textos que serviram de base à avaliação jamais poderiam ter sido adotados numa sala de aula. Nenhum professor tem direito de se aproveitar do seu cargo e da audiência cativa dos alunos para hostilizar, em sala de aula, os seus desafetos políticos e ideológicos.

A propósito, o Estatuto dos Funcionários Públicos do Estado do Paraná proíbe expressamente o servidor de “promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto de serviço” (art. 285, V).

Além de ilegal, essa atividade é antiética em relação aos alunos — que foram obrigados a ler os textos para poder responder às questões da avaliação — e covarde em relação às pessoas hostilizadas, que não estavam lá para se defender.

Na verdade, os alunos estão sendo usados como massa de manobra a serviço dos interesses do sindicato. Um dos textos diz o seguinte:

“Na condição de educador, eu perdoo o governador, desde que, para começar: as negociações acerca da previdência, pivô de toda a confusão, sejam retomadas; o estado reajuste em 8,4% os salários, de acordo com a inflação dos últimos 12 meses, e não os míseros 5% propostos; o Piso Nacional para professores (as) e funcionários (as) seja respeitado, ou seja, 13,01% retroativo ao mês de janeiro; as não punições e faltas aos (as) profissionais da educação em greve, aproximadamente 85%.”

Isso é abjeto. Obrigar estudantes a ler esse texto é rebaixar a docência ao nível da sarjeta. Os responsáveis por essa baixeza perderam qualquer noção de ética do magistério, se é que um dia tiveram alguma.

Cabe ao Estado adotar as medidas necessárias para proteger os estudantes contra esse tipo de abuso. Para isso, basta informá-los e educá-los sobre o direito que eles têm de não ser doutrinados por seus professores.

2 – Um dos argumentos utilizados pelos professores ao defender a aplicação da atividade é que se vive em um regime democrático e, sendo assim, têm direito à liberdade de expressão. O que o senhor acha disso?

NÃO EXISTE LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO EXERCÍCIO ESTRITO DA ATIVIDADE DOCENTE. O que existe é liberdade de cátedra.

Fora da sala de aula, o professor é um cidadão e, como cidadão, tem direito de dizer o que pensa sobre qualquer assunto. A liberdade de expressão existe para o indivíduo que fala na praça pública, nos jornais, na internet, no rádio, nos púlpitos e em qualquer lugar onde as pessoas não sejam obrigadas a escutar o que ele está dizendo.

Na sala de aula é diferente. Os alunos são obrigados a escutar o professor. Ora, se o professor pudesse exercer a liberdade de expressão dentro da sala de aula, a liberdade de consciência dos seus alunos — que é assegurada pela Constituição — seria letra morta.

O simples fato de o professor ser obrigado a transmitir determinado conteúdo aos alunos já significa que ele não tem liberdade de expressão no exercício da atividade docente. Se tivesse, ele poderia usar o tempo das suas aulas para falar do que bem entendesse — religião, política, futebol, etc. –, e ninguém poderia puni-lo por isso.

Nenhum funcionário público desfruta de liberdade de expressão no exercício de suas funções. Nem os ministros do STF. Os professores muito menos, já que eles se dirigem a uma audiência cativa.

3 – Eles também defendem que a avaliação foi aplicada com base em textos e durante um longo debate sobre o assunto. O senhor acha que esse é um aspecto que justifica a aplicação do trabalho?

Debate pressupõe pluralidade de perspectivas sobre as questões abordadas. Os textos cuja leitura foi imposta aos alunos refletem apenas o ponto de vista dos adversários do governador e das políticas por ele adotadas. Portanto, é falsa a afirmação de que tenha havido debate. Os alunos não tiveram acesso ao “outro lado” da história.

Ademais, não existe nenhum distanciamento histórico e emocional dos fatos. Chamar isso de “História” é piada. Trata-se de doutrinação grosseira, usurpação mesquinha da cátedra escolar, para fins políticos e partidários.

Fonte: Escola Sem Partido

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