Resposta à Crítica a Getúlio Vargas

Postado em 7 de fevereiro de 2017

Augusto Nunes diz, aqui, que a Lava Jato está acabando com o nepotismo. Aqui, a neta de uma das autoridades mencionadas em seu artigo, responde. Pode-se discordar dela. Mas não que Augusto é um dos maiores jornalistas do Brasil. Olha só o título e a chamada que ele deu para o artigo que critica sua matéria:

Celina Vargas do Amaral Peixoto corrige artigo do colunista
Fazemos questão de transcrever na íntegra o comentário enviado pela neta de Getúlio Vargas

 

Segue-se a íntegra do comentário da pesquisadora Celina Vargas do Amaral Peixoto:

Sou filha de Alzira Vargas e Ernani do Amaral Peixoto e gostaria de fazer reparos a seu artigo, “A Lava Jato avança sobre a árvore carregada de sogros e genros”. Acredito na liberdade de imprensa, no direito de cada um defender suas posições políticas e na divulgação dos fatos históricos em sua verdade. Defendo a “Operação Lava Jato” e o seu esforço para mudar os valores da política, restaurando, quem sabe, os valores morais que predominavam nos tempos do antigo Partido Social Democrático (1945 -1965), na maior parte deste período, presidido por Amaral Peixoto. E não os valores financeiros que dominam os dias de hoje.

Começo os meus reparos.

Ernani do Amaral Peixoto não nasceu em Niterói. Sua vida política começou na cidade do Rio de Janeiro ia ser candidato a Vereador, quando foi convidado para ser ajudante de ordens do Presidente Getúlio Vargas. Neste cargo, colaborou na tentativa de superar os problemas da vida política fluminense e, em especial, aqueles gerados pela doença e morte do então governador. Isto ocorreu entre 1936-1937, quando Ernani do Amaral Peixoto foi nomeado interventor.

Somente em 1939, é que irá casar-se com Alzira Vargas, tornando-se, com orgulho, genro de Getúlio Vargas. Casado, em sua primeira viagem aos Estados Unidos, encontra-se com o Presidente Roosevelt, com o qual discute as condições da participação do Brasil e da possibilidade dos Estados Unidos participarem da Guerra que se travava na Europa.

O apelido de “Alzirão” existia e era usado pelos seus inimigos políticos. O povo fluminense, que o reelegeu em 1950, na verdade, o chamava respeitosamente de “Comandante”.

Exerceu muitos outros cargos que foram esquecidos. Foi governador eleito do Estado do Rio de Janeiro. Foi Embaixador em Washington, como representante pessoal do Presidente Juscelino Kubitschek, num momento difícil de recuperação das relações entre as instituições financeiras internacionais e o governo brasileiro.

Com o objetivo de reavivar a memória daqueles que têm, como dever, o esclarecimento da opinião pública, faço estes reparos que me parecem devidos.

Celina Vargas do Amaral Peixoto

 

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