Corrupção, desejo e força de vontade

Postado em 28 de abril de 2017

A corrupção tem a ver com você, seus pais e seus filhos.

Existe diferença entre gosto e vontade. Vontade tem a ver com força de vontade, que deve atuar sobre o gosto/prazer/desejo. No vídeo abaixo, o filósofo Clóvis de Barros Filho explica a diferença. Não deixe de ver, é longo mas muito prazeroso.
Você pode ler o artigo completo de Carlos Alberto Di Franco aqui, e acompanhar suas ideias pelo facebook.

 

[…] a corrupção, mesmo pontual e minoritária, deve ser exemplarmente punida. É necessário dar um basta a isso. Quando vamos romper esse ciclo? Quando vamos assistir, de fato, à punição dos culpados? A repetição dos escândalos gera um perigoso fatalismo. Quando se banaliza a corrupção, se banaliza a culpa. O risco é de que se torne um comportamento epidêmico. Para onde vamos?

Uma das causas dos crimes e dos desvios de comportamento que castigam a sociedade brasileira é, sem dúvida, a certeza da impunidade. O criminoso sabe que a probabilidade de um longo período de reclusão só existe na letra morta da lei. O Brasil, como bem sabemos, não padece de anemia legal. O nosso drama é a falta de eficácia na aplicação da lei.

Mas há, estou convencido, causas ideológicas mais profundas para o eclipse da ética e para a explosão das ações criminosas. O relativismo ético e a ausência de limites estão na raiz da patologia social.

Há no cerne da crise uma profunda raiz ideológica. Na verdade, as bases racionais da modernidade foram minadas pelo relativismo. Rompeu-se, dramaticamente, o nexo de união entre vontade e razão. Dessa forma, as pessoas passaram, no seu comportamento prático, a confundir gosto com vontade, sem conseguir captar as profundas diferenças existentes entre ambos. Por isso, cada vez mais o gosto, o capricho, o prazer (incluindo as suas manifestações mórbidas e doentias) passaram a impor sua força cega. Um dos traços comportamentais que marcam a decomposição ética da sociedade é, efetivamente, o desaparecimento da noção da existência de relação entre causa e efeito. A responsabilidade, consequência direta e lógica dos atos humanos, simplesmente desapareceu. O fim justifica os meios. Sempre. Trata-se da consequência lógica do raciocínio construído de costas para a verdade e para a ética. O político não tem limites na busca do poder. O burocrata avança no dinheiro público. E alguns empresários vendem carne estragada para aumentar a lucratividade do negócio. É terrível, mas é assim.

Se não houver uma profunda renovação moral da sociedade, seguiremos arando no mar. O relativismo ético e a ausência de limites estão no cerne. O nó está aí. Se não tivermos a coragem e a firmeza de desatá-lo, assistiremos a uma espiral de comportamentos criminosos e antiéticos sem precedentes.

Carlos Alberto Di Franco é advogado e doutor em comunicação pela Universidade de Navarra. Colunista e consultor do “Estado de São Paulo” e da “Rádio Eldorado”. Di Franco também publica artigos em “O Globo” e “Estado de Minas”. Publicou os livros “Jornalismo, Ética e Qualidade” (Editora Vozes, São Paulo) e “Jornalismo como poligrafia” (Porto, Portugal).

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