Como é a Realidade, Maniqueísta, Cínica, ou o Que?

Postado em 13 de julho de 2017

 

Um juiz ficou famoso ao filmar as audiências em que decidia as sentenças dos cidadãos de Providence, uma cidade do Rhode Island, Estados Unidos.

O irmão do juiz Frank Caprio, Joseph Caprio, começou a filmar os casos da corte há mais de 20 anos. Atualmente eles vão ao ar sábado às 11:35 e domingo às 19:30 e 00:05. Como informa o site “Apanhado em Providence”, o show foi ao ar primeiro numa estação local. E é disso que se trata, é um show. Não é que a atmosfera da corte obrigatoriamente tenha que ser opressiva,  inflexível, taciturna, mas não pode ser o circo em que o juiz-apresentador se reúne com os réus-público para se divertirem.

O ambiente pede circunspecção porque foram quebradas as regras que tornam a convivência em sociedade possível. É de se perguntar por que a polícia da cidade continua cumprindo o seu papel uma vez que o juiz-estrela transforma o trabalho deles num espetáculo ora mais cômico, ora mais sentimental.

O juiz parece cheio de satisfação com seu papel de ordenar o mundo ao comando de sua varinha de condão. Num dos casos, divulgado no Brasil, o juiz encaminha as perguntas para transformar a ré em vítima da sociedade. Para tanto concorreu o fato de o filho dela ter sido assassinato. Prudentemente o juiz deixou de fora o fato de o assassino ser irmão da ré, o que associaria a tragédia mais à família do que à sociedade.  O espectador menos obtuso também não deixaria de notar que as cores de esmalte, diferentes em cada unha, são um elemento da tragédia, de novo, mais do que a sociedade.

Pessoas mais maduras com mais discernimento não reduzem o mundo a esse maniqueismo. Abaixo, o rabino Berel Wein escreve sobre esse tema. Você pode ler o artigo completo aqui.

 

“Este último século, o mais sangrento de toda a história humana, deveria descartar duas das mais estimadas teorias sobre a humanidade, postuladas pelo Iluminismo e pelo Humanismo.

Uma delas foi a idéia de que todas as questões morais, todas as questões de certo e errado, bem e mal, eram assuntos a serem adequadamente decididos com base somente na razão do homem, sem a necessidade (melhor dizendo, sem a interferência) da revelação divina ou religião organizada. O homem, e somente o homem, seria o árbitro autônomo e definitivo da moralidade.
Essa idéia trouxe consigo, como um corolário necessário, a firme convicção de que homem, deixado por conta do seu mecanismo de raciocínio, iria, invariavelmente, escolher fazer o que é certo, o que promove a vida e a igualdade e o bem comum.
Esta segunda ideia da escolha inata do homem pela bondade foi ajudada e instigada por uma crença arrogante de que uma pessoa educada estaria mais propensa a fazer o bem do que uma analfabeta, que um doutor estaria menos suscetível a matar, prejudicar, mutilar e destruir, do que um pobre, atrasado, trabalhador braçal, agricultor.
Mas nenhuma destas teorias se provou verdadeira. Hitler, Stalin, Mao, Pol Pot, Milosevic e toda a série de outros assassinos do século 20, foram todos desmentidos com relação às fantasias sobre a moralidade e a retidão humanas. Um terço de todos os comandantes dos campos de extermínio nazistas eram médicos ou doutores em medicina.
O homem, deixado à sua própria razão, não vai escolher o certo. A razão, por si só, é morte e destruição, teorias opressoras e engenharia social assassina. Nenhuma fé e nenhuma crença nos levaram à beira do abismo social da auto-destruição.
A nossa sociedade anseia por um retorno ao eu, a um sistema de valores eternos, a um estilo de vida disciplinado e à verdadeira liberdade de fé, que vão nos libertar dos males da conformidade irracional.
Balaque e Balaão […]são pessoas poderosas, respeitadas, inteligentes. Balaão até possuía o dom da profecia e intuição divina.
 
Mas eles são pessoas comuns, más e imorais. Eles estão tão convencidos de seus próprios poderes, de suas próprias capacidades de raciocinar corretamente, que eles estão convencidos de que podem enganar o Divino e destruir o povo judeu, tudo sem consequências para si mesmos.
 
Eles exibem todas as características imorais do lado negro do comportamento humano: a ganância, a corrupção, a inveja, a fala vil e o ódio sem causa. Mas sua pior característica é a arrogância: eles sabem mais, eles são mais, eles merecem mais. 
[…]
Mas muitos, e, especialmente, inexplicavelmente, muitos judeus, relutanm em abandonar as boas velhas teorias do Iluminismo. E isso é um erro realmente triste e perigoso. Precisamos de uma boa dose de realismo e deveríamos abandonar muitas das crenças e teorias utópicas, ingênuas e perigosas que caracterizaram a nossa jornada no mundo moderno ao longo dos últimos dois séculos.
[…]”

Fonte:

https://www.caughtinprovidence.com/about

youtube.com/watch?v=EqK80Neavq8

 

 

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