Artista contra a Lei Rouanet

Postado em 21 de setembro de 2017

por Patricia Teles. Leia o artigocompleto no site do ilisp.

 

[…] Não é preciso dinheiro pra fazer arte e produzir cultura, qualquer comunidade pobre e sem muitos recursos tem a capacidade de produzir cultura da mais alta qualidade. Arte é criatividade e talvez por isso, na escassez e crises, a criação se supere.

A arte é inerente a vida das pessoas, logo, existe um mercado pra isso. Não é só o artista que precisa da arte, felizmente o público também precisa e é aí que mora toda a mágica, o escambo que acontece naturalmente das relações humanas. É por meio da livre iniciativa humana – e não do estado – que evoluímos, e por isso é tão importante que este jamais atrapalhe.

[…]Quanto menor a liberdade econômica de um país, maior é a pobreza e piores são as condições de vida.

[…] questionar o Minc não é questionar a importância da cultura, mas apenas pensar se esta é realmente a melhor forma para fomentá-la, principalmente num momento de séria crise na economia, segurança, saúde e educação, e com um rombo de 170 bilhões nas contas públicas.

[…]Há muita máfia política e desperdício de dinheiro no estado, e na cultura não seria diferente, onde projetos toscos e bizarros (obviamente não todos) são aprovados com a desculpa de se fazer arte.

Em um período em que ainda acreditava no sistema, tentei por uns três anos aprovar projetos. Em todas as vezes tinha muita fé que ia passar, afinal, eu me encaixava perfeita (e naturalmente) nas categorias de análise que eles dizem querer incentivar: mulher, baterista, nordestina, com trabalho musical que valoriza a cultura brasileira e baiana, etc. Tentei projetos para gravar meu disco solo, realização de mine-turnê de workshops e formação técnica no exterior, todos que nunca tinham sido contemplados antes, mas alguém (governo) julgou que eu não era suficientemente interessante pra fomentar a cultura. Ok, não ser aprovado é a coisa mais normal do mundo, isso não é mágoa de alguém quem não soube “perder”, mas sim para ilustrar o quanto tudo isso é questionável. Depois disso, decidi que não quero depender do estado e nem que meus colegas dependam.

[…]

Coisas assim acontecem naturalmente quando o governo não interfere na economia. Quero que o cara da padaria ou a garotinha da comunidade que são meus fãs possam pagar pra fazer aula comigo. Quero ver tanto eles quanto músicos profissionais comprando equipamentos de qualidade a preço justo sem serem atochados por impostos. Quero que as marcas de instrumentos e importadoras possam investir mais em seus músicos patrocinados, que possam fazer eventos e turnê com eles, o que acontece em uma economia mais livre, pois sobra mais recursos para a empresa investir.

O artista é um viajante nato e viagem custa caro. Quero que abram o mercado de aviação ainda mais, é graças a medidas de desregulamentação que pobre vai poder andar cada vez mais de avião e artistas que não estão no mainstream vão poder disseminar sua arte pelo mundo. Quero que abram também o mercado da gasolina ou qualquer outra regulamentação que exista para locomoção. Veja a diferença que é ser artista em países ricos. O mercado é amplo, os bens são acessíveis, a acessibilidade é outra. Um artista, mesmo ganhando pouco, consegue viver bem, consegue ter acesso aos melhores equipamentos e infraestruturas, consegue fazer turnês independentes, escolas de artes existem e são valorizadas, e as possibilidades de trabalho com arte são inúmeras. E, caso as coisas não estejam indo tão bem, você pode fazer “bicos” ou ainda ter trabalhos de meio período e continuar investindo em sua arte tendo uma vida digna.

O que muda a vida do artista e fomenta a cultura não é o estado, é uma economia forte e livre. Na era do crowdfounding, acreditar que a cultura vai morrer sem um Ministério ou uma lei é loucura. O estado não produz nada, quem produz são as pessoas. Precisamos nos libertar e disseminar as ideias de independência, a dependência engessa. A revolução é tecnológica e digital, Netflix (fora Anatel!) e Uber (fora cartel dos táxis!) estão aí pra provar: não devemos permitir que o governo atrapalhe a vida das pessoas. Não precisamos do estado, precisamos mesmo é de liberdade.

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