Resposta à Utilização de Mortes com Fins Políticos.

Postado em 20 de março de 2018

por Marcelo Faria, no Ilisp.

Cristiano Castilho, jornalista freelancer do jornal Folha de São Paulo, publicou em seu Facebook uma carta aberta onde culpa tudo e todos – menos os assassinos – pelo homicídio de Marielle (o motorista, igualmente morto no crime, foi esquecido). Esta é a minha resposta a ele e a outros que utilizaram a morte da vereadora para fazer militância política:

Carta aberta a você, Cristiano Castilho, e a outros que usaram um assassinato para fazer politicagem barata.

Não, não sou responsável pela morte da Marielle. Somente os criminosos que a mataram são responsáveis pelo crime.

Não, quem bateu panela não é responsável pela morte dela. E muito menos tinha “medo de gente”, mas sim de mais desemprego, inflação e caos no país.

Quem acha que bandido bom é bandido morto também não é responsável pela morte dela, mesmo que se discorde desse ponto de vista. Os responsáveis, de novo, são os assassinos. E apenas eles.

Isto também serve para quem estereotipa seu contraponto político, para quem é incoerente, para quem tatua deus no corpo ou não, para quem é humanista ou não, para quem elegeu o prefeito a, b ou c.

Nenhum deles é responsável pela morte de Marielle. Os assassinos e apenas eles são os responsáveis.

Quem defende o uso de armas deseja que pessoas como Marielle e seu motorista possam ao menos ter a chance de, talvez, continuarem vivos. Como você pode perceber pelo próprio crime, quem deseja matar alguém não está preocupado com a lei de desarmamento.

Quem usa filtro no vidro do carro também não matou Marielle, quer apenas tentar reduzir um pouco a chance de ser alvo do próximo crime. O carro onde ela estava, aliás, também tinha filtro no vidro. A realidade é bem diferente da caixinha quadrada de militância.

Quem assiste Datena com a família também não matou Marielle. Pelo contrário, geralmente estas pessoas vibram quando bandidos homicidas como aqueles que tiraram a vida da vereadora (e de seu motorista, sempre bom lembrar) são mortos. Gente de bem não quer a morte de gente inocente.

Eu poderia dizer que gente que glamoriza bandidos, tira a culpa dos criminosos para colocá-la na “sociedade” ou em alvos pré-estabelecidos e defende direitos humanos apenas para criminosos, como a esquerda brasileira faz constantemente, é quem matou Marielle. Mas isto seria falso: apesar de vocês adorarem um bandido, vocês também não mataram Marielle, foram aqueles que vocês tanto defendem que o fizeram.

Todos aqueles que você diz que “mataram” Marielle gritam e clamam por justiça e segurança há anos, Cristiano. Ao contrário de pessoas como você, eles sabem que se mata e se morre como em uma guerra diariamente neste país. Eles não descobriram que existe criminalidade apenas quando uma vereadora com a qual se identificam politicamente foi assassinada, eles a vivenciam diariamente.

Na próxima, Cristiano, talvez seja melhor você adotar o silêncio ao invés de falar sobre o que sequer conhece e utilizar um cadáver para a sua militância barata. Seria esplêndido.

Publicação de André Meerholz no CONJUR

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