Os Objetivos do Ensino de Jesus – específicos – 1ª parte

Postado em 26 de novembro de 2020

Agora que já vimos os objetivos gerais dos ensinos de Jesus, podemos passar para os objetivos específicos de seu ensino. Essa abordagem irá exigir algumas publicações.

Os evangelhos demonstram que Jesus objetivava promover uma transformação no ser humano, reorganizar intrinsecamente sua capacidade de pensar e viver emoções. Ele pretendia construir uma pessoa solidária, tolerante, que pudesse considerar a dor do outro.1

Seu objetivo por excelência era a mudança da vida do indivíduo, e não apenas seu intelecto e emoções.2 Podemos dizer que seu objetivo final foi formar discípulos que fizessem novos discípulos “Portanto, ide, ensinai todas as nações…” (Mt 28.19a). Eles deveriam se tornar pescadores de homens e realizar um ministério como aquele que Jesus realizou. Para cumprir esse objetivo, requeria-se dos discípulos que aprendessem diligentemente a viver totalmente sob o senhorio de Jesus e cumprir tudo aquilo que, como mestre, ele lhes ensinava.

Após passar pelo discipulado de Jesus Cristo, eles deveriam estar aptos a transmitir esse ensinamento e modo de vida para outras pessoas. Seus discípulos deveriam dar continuidade àquilo que Jesus havia iniciado “… Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.” (Jo 20.21b).3

Jesus enfatizava o arrependimento “… Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.” (Mt 4.17b). Foi para isso que ele veio ao mundo, iniciar o reino de Deus na terra através dos discípulos. Jesus Cristo primeiro cuidou de levar o povo à conversão a Deus. A experiência da conversão é descrita em o Novo Testamento como novo nascimento: “Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3), iluminação, novo coração e arrependimento: “Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 4.17). O vocábulo utilizado para arrependimento nesse texto é metánoia que significa: mudança de mente, mudança do homem interior, mudança profunda e radical da mente, incluindo as faculdades de percepção4. Pode ser uma experiência sem alarde, ou do tipo revolucionário; pode ser gradativa ou repentina; pode ser dominantemente intelectual, emotiva, ou volitiva; pode ser mais viva libertação do pecado ou mais sensível marcha para a retidão. Todavia, em cada caso deve haver uma entrega a Deus e o transpor uma linha divisória para se entrar à vida cristã e, portanto, ao discipulado.5

Jesus queria que seus discípulos adotassem princípios corretos. Os princípios são forças poderosas para a construção do caráter. Jesus apresentou princípios retos e justos. “Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celestial” (Mt 5.48). Ele procurou de modo especial dar a todos uma compreensão mais clara da natureza de Deus e de sua atitude para com a humanidade. Jesus evidenciou as qualidades e práticas que deveriam caracterizar os cidadãos do Reino, tanto na vida particular como em suas relações públicas. Ele alertou a todos contra o orgulho, a cobiça, a raiva para com outro irmão, e contra o olhar para a mulher cobiçando-a.

Ele proclamou como segundo mandamento a harmonia com o próximo “… Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mc 12.31b). A única responsabilidade maior do que essa é a harmonia com Deus “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças…” (Mc 12.30).

Dessa forma, o viver cristão envolve relações retas para com o homem, assim como para com Deus. Ao enfatizar a doutrina das recompensas na eternidade, Jesus disse que tais recompensas se baseiam no ter dado atenção e auxílios aos necessitados “porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adocei, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.” (Mt 25.35, 36).

Jesus enfatizou o evangelho do amor. Ele sabia que o verdadeiro amor derrubaria todas as barreiras. Alertou a todos contra o ódio. Jesus sabia que não podiam existir boas relações quando reinava o ódio. Ele enfatizou também a necessidade do espírito pacifista, ao dizer: “Bem aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).

Jesus Cristo fez uso de determinadas técnicas para ajudar seus discípulos a verificar e reforçar suas crenças e convicções “… Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?… Simão, filho de Jonas, amas-me?… Simão, filho de Jonas, amas-me?…” (Jo 21.15, 17). Ele bem sabia que somente o conhecimento não poderia vencer os desejos instintivos e o mau ambiente. Assim pois, o mestre tanto buscou aprofundar as convicções como implantar a verdade. Ele reconhecia a necessidade de despertar o sentimento e desenvolver atitudes. Jesus despertava o interesse de aprofundar as convicções. Jesus colocava para os discípulos perguntas como estas: “Que vos parece?” (Mt 18.12). “Que pensais vós do Cristo?” (Mt 22.42). O ensino deve fortalecer, e não enfraquecer as convicções. É preciso desenvolver no discípulo convicções tão fortes para que eles se mantenham resolutos e invencíveis.

Precisamos notar que em todos os ensinos Jesus nunca esqueceu dos problemas dos ouvintes. Sempre buscou resolvê-los para fazê-los discípulos felizes e unificados. A ênfase dada por Cristo era sobre a vida e não coisas materiais. Jesus tinha em vista a própria vida, mais do que propriamente o intelecto. Ele tinha em vista os ouvintes, mais do que o conteúdo de seu ensino.

Quando conversou com Nicodemos (Jo 3.1-21), abordou o ponto fraco do seu farisaísmo formalista e lhe ensinou a lição da necessidade conversão, “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (Jo 3.3b). O discipulado de Jesus, ensinou como resolver as necessidades e problemas da vida.

O desejo de Jesus não se limitava a obter uma resposta definida para seus ensinos, tampouco a resolver por meio deles problemas específicos da vida. Ele conseguia olhar mais adiante. Jesus desejava desenvolver em seus discípulos a integridade da missão. O mestre buscava criar e desenvolver virtudes positivas, tais como a honestidade, humildade, pureza, altruísmo, bondade, sacrifício, para enobrecer o caráter (Mt 5.1-12).

Demonstrou-se bem mais interessado na qualidade de seus seguidores do que na quantidade deles. Importou-se mais com o valor de seus discípulos do que com seu número. Mais com resultados permanentes do que com êxitos temporários.

Mas, não acaba por aqui, os objetivos específicos de Jesus terão continuidade.

 


1 CURY, J. O Mestre dos Mestres – Análise da Inteligência de Cristo; v. 1. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. p. 104.

2 ARMSTRONG, H. Bases da Educação Cristã. 2. Ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1994. p. 27.

3 OTT, C. Treinando Obreiros: Princípios Bíblicos, Conselhos Didáticos, Modelos Práticos. Curitiba: Editora Esperança, 2004. p. 32.

4 TAYLOR, W. C. 1886-1971. Dicionário do Novo Testamento grego. 10. Ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1991. p. 135.

5 PRICE, J. M. A pedagogia de Jesus; o mestre por excelência. 2. Ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1975. p. 50, 51.

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Notícias – Faculdade Cristã de Curitiba – FCC
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Autoria do texto: Sandro Pereira.
Data de Publicação: 26 de novembro de 2020.
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