Paulo Figueiredo: ‘Em universidade federal qualquer coisa é desculpa para não dar aula’

Postado em 2 de dezembro de 2020

O ministro Milton Ribeiro afirmou em entrevista ao canal CNN nesta quarta-feira, 2, que a portaria do Ministério da Educação que determinava a volta às aulas presenciais em universidades públicas no mês de janeiro de 2021 será revogada após reação negativa das instituições de ensino. Segundo ele, o ministério deverá liberar o retorno presencial apenas quando as instituições “estiverem confiantes de que as aulas podem ocorrer em segurança”. O recuo na decisão poucas horas após divulgação da mesma e a reação das universidades públicas à portaria foram temas de conversa entre os comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 2.

Para Paulo Figueiredo Filho, a reação das instituições de ensino à portaria é sinal de que “em universidade federal qualquer coisa é desculpa para não dar aula”, algo que prejudicaria os estudantes de menor poder aquisitivo que não podem pagar universidades particulares. Ele disse, ainda, que os professores devem ter o direito de escolher se querem ficar em casa, mas não devem receber salário se decidirem não trabalhar. “Desculpa, não quero pagar seu salário. Entendo que você não queira correr o risco, mas a grana está curta para todo mundo”, afirmou. Usando dados dos Estados Unidos, que segundo ele são mais precisos do que os dos Brasil por serem fruto de alta testagem, o comentarista relativizou as mortes de pessoas em idade universitária em relação às mortes gerais, dizendo que universitários representam “0,0022% do total de mortes no país norte-americano. “Você corre mais risco de morrer indo de carro para a universidade, ou de ônibus, ou na comunidade onde você mora. Você corre mais risco no caminho da faculdade do que de contrair Covid e falecer”, disse.

Josias lembrou que a decisão do MEC não considerava a possível contaminação de pessoas mais velhas que convivem com esses universitários. Para ele, a portaria se revelou uma “inutilidade intrigante e desmoralizante” ao falar em volta às aulas em um momento de crescimento de casos de coronavírus no país. Segundo ele, a descoberta de Milton Ribeiro de que não é possível “impor vontade pela força” é algo que desmoraliza o pastor e traz questionamentos sobre o real papel do quarto nomeado para o cargo durante o governo de Jair Bolsonaro. “Imaginou-se que o ministro Milton Ribeiro fosse restabelecer o diálogo com a comunidade acadêmica, mas a edição desta portaria mostra que os canais de conversa continuam obstruídos, o que é uma pena”, lamentou. Ele criticou o timing no qual o representante do MEC decidiu conversar com os representantes das universidades. “A pergunta é: por que não convocou os reitores para conversar antes de editar a portaria?”, questionou.

Para Thaís Oyama, esse é mais um desgaste desnecessário do governo federal após uma “medida impulsiva tomada com base em uma decisão ideológica”. Ela afirmou que a “volta atrás” do MEC ocorreu apenas para não desmoralizar a pasta diante de uma decisão que desafiava a constituição e provavelmente seria desrespeitada pelas instituições de ensino de toda forma. “As universidades federais têm o princípio da autonomia e isso foi ressaltado por vários reitores, que logo trataram de lembrar o ministro da Educação”, analisou. Ela trouxe, ainda, dados que demonstram alta nos casos e internações do país. “Isso me parece, parece também aos especialistas, um sinal bastante claro de que a doença está tendo um aumento”, afirmou.

Confira o programa “3 em 1” desta quarta-feira, 2, na íntegra:

 

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Autoria do texto: Jovem Pan.
Data de Publicação: 2 de dezembro de 2020.
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