O Discipulado de Jesus e a Capacitação na Igreja Local

Postado em 23 de fevereiro de 2021

Capacitação é o meio do qual podemos nos utilizar para tornar alguém apto para realizar uma ou várias tarefas específicas. No contexto da igreja local, capacitação pode significar a edificação ou preparação dos discípulos de Jesus. Esta preparação visa equipá-los para que eles se tornem discípulos aptos a exercer o serviço cristão. De igual modo, a capacitação visa ajudá-los a desenvolver os seus dons para que a Igreja seja edificada. Não se trata, em primeiro lugar, de firmar discípulos recém convertidos, ainda que o crescimento espiritual dos participantes seja parte integrante e fundamental de qualquer treinamento para capacitação no âmbito da igreja local.

É importante ressaltar que o conceito de capacitação, aqui utilizado, engloba muito mais do que a simples transmissão do conhecimento. A capacitação deve ser muito mais abrangente do que um treinamento escolar alcança. Na capacitação para o serviço da Igreja, o discípulo deve ser visto e incluído como um todo. Trata-se, dessa forma, de um verdadeiro desenvolvimento de pessoas para que elas possam atuar no campo do cristianismo prático. As pessoas capacitadas para o serviço deverão tornar-se aptas a desenvolver as suas tarefas especiais com maior eficácia para que a igreja local seja edificada.[1]

No evangelho segundo João (20.21b) podemos ler a seguinte expressão “assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”. São palavras de Jesus. Faz parte do chamado de cada cristão, servir ao corpo de Cristo com o dom que lhe for dado. Deus dá a cada discípulo dons e talentos que servem para a edificação da Igreja e para testemunho perante o mundo:

Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém! (1 Pe 4.10,11)

A igreja local deve planejar e se engajar a não se contentar simplesmente em levar pessoas à conversão e a uma consolidação na fé; deve, sobretudo, ajudá-las a descobrir, desenvolver e aplicar os seus dons. Na carta aos Efésios (4.11,12) encontramos o seguinte registro: “E ele  mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros  e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”.

Com base no texto citado acima, fica claro e evidente que o objetivo primário do corpo de líderes da igreja local é “aperfeiçoar os santos” para o desempenho do seu serviço. A Igreja é um povo de servos, um povo do reino, um povo dotado, contemplado com dons e graças multiformes de ministério. Na Bíblia, os leigos são todo o povo de Deus – tanto o clero como o “laicato” (“leigo” significa literalmente “do povo” e vem do termo laos, “povo”).

É, pois, responsabilidade primeira dos líderes da igreja, bem como a preocupação de cada membro, que todos os santos sejam equipados para o seu ministério. Uma identidade e uma prioridade totalmente novas precisam ser encontradas tanto por pastores como por “leigos”.[2]

Nenhuma pessoa seria capaz de sozinha, incorporar todos os dons ministeriais dados por Deus para a Igreja. Não há uma pessoa que possa ser um preparador “onicompetente” de discípulos. Essa deve ser uma tarefa coletiva.[3]

Hoje, apenas algumas poucas igrejas possuem diretrizes para a capacitação dos discípulos para o serviço. Existem de fato, testes que ajudam os discípulos a descobrir os seus dons. O que quase não se vê é a ajuda necessária para que esses discípulos possam desenvolver esses dons. Pastores e dirigentes das igrejas muitas vezes se queixam da falta de obreiros capacitados. Pode ser que o motivo não esteja tanto na falta de disposição para o serviço, e sim na falta de oferta de programas adequados para a capacitação dos discípulos na prática do desenvolvimento de seus dons.[4]

Grande parte dos programas de capacitação existentes hoje tem por objetivo a formação e o preparo do participante de forma individual. Uma pessoa recebe o treinamento específico e se torna apto para ser um líder qualificado de igreja. Dessa forma, muitas vezes negligencia-se o sentido maior da capacitação: “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso” (1 Co 12.7). Oswald Sanders, citado por Ott, declara “Se nos empenharmos em formar uma classe de líderes, provavelmente iremos criar um grupo de intelectuais impacientes, ambiciosos e insatisfeitos”. Sanders acrescenta: “não estamos à procura de ‘líderes’, mas de ‘servos’”.

Quando isso não está em primeiro plano, o propósito da capacitação pode tornar-se perigoso. Somente um elo resistente entre a capacitação e as reais necessidades da igreja, junto com uma inabalável disposição dos discípulos em se empenhar pelo seu sucesso conduzem à formação de “servos” e não de “líderes”. Pessoas que não olhem os outros de cima para baixo e que não queiram se exaltar sobre os outros. No discipulado de Jesus Cristo, a liderança cresce ao lado da servidão: “…quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo”(Mt 20.26,27).[5]

 

Sandro Pereira


[1] OTT, C. Treinando Obreiros: Princípios Bíblicos, Conselhos Didáticos, Modelos Práticos. Curitiba: Editora Esperança, 2004. p. 13-14.

[2] STEVENS, P. A Hora e a vez dos leigos. São Paulo: ABU Editora S/C, 1998. p. 16.

[3]Idem, p. 17.

[4] OTT, C. Idem, p. 12-13.

[5]Idem, p. 23-24.

 

Trechos extraídos ou texto replicado na íntegra da seguinte fonte:
Notícias – Faculdade Cristã de Curitiba – FCC
Leia o artigo original clicando no link abaixo:
Read More

Trechos extraídos ou texto replicado na íntegra do site abaixo.
Autoria do texto: Sandro Pereira.
Data de Publicação: 23 de fevereiro de 2021.
Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

Aviso Legal

A COJAE acredita que a propagação de informações relevantes e responsáveis pode ajudar a sociedade. Por isso, mobilizou sua equipe editorial em prol de confrontar as diferentes visões a respeito dos mais variados assuntos, a fim de difundir somente informações que acredita serem baseadas em fatos.
Os conteúdos aqui ora publicados estão livres do alarmismo, sensacionalismo e interesse político-ideológico amplamente divulgado pelas grandes mídias, incluindo canais de televisão e gigantes redes sociais que manipulam infielmente os dados.

Trechos extraídos ou texto replicado na íntegra do site abaixo.
Autoria do texto: Sandro Pereira.
Data de Publicação: 23 de fevereiro de 2021.
Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

Publicações Relacionadas

Explore Seus Tópicos Favoritos

Leia mais artigos publicados em nosso blog navegando pelas categorias abaixo. Clique aqui para acessar nosso blog.

Notícias
Direito
Judiciário
Ética
Arbitragem
Editorial
Ideologia
Justiça Federal
Teologia
Todas as Categorias

Selecionadas do editorial

Artigos Relacionados

0 Comentários

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *