‘Vossa Excelência está querendo dificultar a instalação da CPI’, diz Otto Alencar a Ciro Nogueira

Postado em 27 de abril de 2021

No início da primeira reunião da CPI da Covid-19, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), titular da comissão e um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro no Congresso, apresentou questão de ordem para tentar suspender o início dos trabalhos, sob a alegação de que a composição do colegiado infringia o regimento interno do Senado. O inciso 3º do artigo 145 afirma que “o Senador só poderá integrar duas comissões parlamentares de inquérito, uma como titular, outra como suplente”. Três dos 11 membros da comissão que irá apurar ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus são titulares da CPI da Chapecoense, que trata da situação das vítimas e familiares do acidente aéreo do clube catarinense.

“Não quero criar nenhum problema. Mas quero que isso seja sanado. Antes, acho que as lideranças têm que comunicar a saída [de outras CPIs]. Temos que sanar e acho que temos que suspender a CPI até que esse vício insuperável seja sanado”, disse Ciro Nogueira. “Em outras oportunidades, outras CPIs foram aqui instaladas. Vossa Excelência se refere à CPI da Chapecoense, que participo. E Vossa Excelência não questionou à época. Portanto, indefiro a sua questão de ordem”, rebateu Otto Alencar, que preside a primeira sessão. Nogueira insistiu: “Não se trata de indefirir. Vossa Excelência faz parte da CPI da Chapecoense e dessa CPI. Esse vício não tem como ser superado”, acrescentou. “Vossa Excelência está querendo dificultar a instalação dessa comissão. É uma coisa que eu acho que não cabe a Vossa Excelência fazer isso. Até porque, Vossa Excelência não é contra a investigação da destinação dos recursos federais”, respondeu Alencar. “A sua avaliação, para mim, não importa”, disparou o senador do PP.

O senador Jorginho Mello (PL-SC), outro parlamentar governista que integra a CPI da Covid-19, apresentou uma segunda questão de ordem, defendendo que os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Jader Barbalho (MDB-PA) sejam declarados suspeitos por serem pais dos governadores de Alagoas e do Pará, respectivamente. O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), chamou o pedido de “filigranas que não estão apropriadas para o momento”. “Não há nem escolha de relator, não há nem a quem julgar suspeito”, acrescentou. Alencar, por sua vez, disse que a questão terá de ser debatido quando o presidente do colegiado for eleito.

Fonte do artigo:

Política – Jovem Pan

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Trechos extraídos ou texto replicado na íntegra do site abaixo.
Autoria do texto: André Siqueira.
Data de Publicação: 27 de abril de 2021.
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