Omar Aziz critica Bolsonaro e desfile militar em Brasília: ‘Cena patética’

Postado em 10 de agosto de 2021

O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), subiu o tom e criticou o presidente Jair Bolsonaro e o desfile militar que ocorreu em Brasília, na manhã desta terça-feira, 10, horas antes de a Câmara dos Deputados votar a PEC do voto impresso. Em um discurso na abertura dos trabalhos da comissão, Aziz afirmou que o ato foi uma “cena patética que mostra apenas uma ameaça de um fraco que sabe que perdeu. Não haverá voto impresso”. O parlamentar do PSD também disse que o Senado não se curvar a “arroubos” autoritários. A manifestação foi endossada pelos senadores Humberto Costa (PT-PE), Eduardo Braga (MDB-AM), Otto Alencar (PSD-BA) e Rogério Carvalho (PT-SE), que também pediram a palavra.

“O presidente Bolsonaro comanda um lamentável desfile de blindados, em uma clara tentativa de intimidar parlamentares e opositores. Bolsonaro imagina estar mostrando força, mas está evidenciando toda a fraqueza de um presidente acuado por investigações de corrupção, inclusive desta CPI, e pela incompetência administrativa que provoca mortes, fome e desemprego em meio a uma pandemia sem controle. O presidente cria uma encenação, uma coreografia, para mostrar que tem o controle das Forças Armadas e pode fazer o que quiser com o país. É um absurdo inaceitável. Não é um teatro sem consequências, mas um ataque frontal à democracia, que precisa ser repudiado. O papel das Forças Armadas é defender democracia, não ameaçá-la”, disse Aziz. “Todo homem público, além de cumprir suas funções constitucionais, deveria ter medo do ridículo, mas Bolsonaro não liga para nenhum desses limites. Como fica claro nessa cena patética que mostra apenas uma ameaça de um fraco que sabe que perdeu. Não haverá voto impresso, não haverá nenhum tipo de golpe contra a nossa democracia. As instituições, Congresso Nacional à frente, não deixarão que isso aconteça. A democracia tem instrumentos para defender a própria democracia contra arroubos golpistas. Agressões à Constituição não são legítimos. Defender golpe não é aceitável”, acrescentou.

Líder do MDB na Casa, Eduardo Braga (MDB-AM) também condenou o desfile e destacou que, nesta terça-feira, o Senado vai “acabar com uma lei que é resquício da Ditadura”, em alusão à Lei de Segurança Nacional (LSN). “No dia em que o Senado vai acabar com uma lei que é resquício da Ditadura, a Lei de Segurança Nacional, e vai votar a Lei do Estado Democrático, e vamos botar uma pedra sobre esse resquício do período da Ditadura, e no dia em que a Câmara deverá colocar uma pedra definitiva sobre esta tentativa de retrocesso que é o voto impresso, aí vem o presidente dar uma demonstração de força com tanque e aparatos bélicos desfilando sobre a Esplanada dos Ministérios. Quero dizer que fico com a democracia. Fico com o artigo da Constituição que diz que todo poder emana do povo e em novo do povo será exercido”, afirmou Braga.

Vice-presidente da CPI da Covid-19, Randolfe Rodrigues disse que o ato desta terça foi uma “patética demonstração de fraqueza” para “esconder o que realmente importa: o balcão de negócios que foi transformado o Ministério da Saúde quando mais de 3 mil brasileiros estavam morrendo; os esquemas de corrupção que esta CPI está descobrindo; é a inflação acumulada no último período, de quase 9%. O que importa é o preço do óleo de soja, da carne, do arroz, do feijão, que os brasileiros não estão tendo dinheiro para pagar no supermercado. O que importa são os mais de 14 milhões brasileiros desempregados, por conta dos erros da condução por parte deste governo. O que importa são mais de 563 mil famílias brasileiras órfãs, do tratamento precoce sem eficácia comprovada, por conta da pior gestão da pandemia do mundo”. “O brasileiro não quer voto impresso, quer comida na mesa, vacina no braço, economia retomada, inflação contida”, acrescentou.

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) não fez nenhum comentário sobre o desfile de tanques e veículos das Forças Armadas. O auxiliar do presidente disse que gostaria de retirar “os excessos” das falas de seus colegas de Casa, elencou ações do governo que classificou como positivas, citou o número de doses de vacinas aplicadas e afirmou que seguirá defendendo o governo. Integrante da tropa de choque governista na CPI da Covid-19, o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) repetiu o discurso de que o Supremo Tribunal Federal interferiu na comissão especial da Câmara que analisou a PEC do voto impresso e rejeitou o relatório por 23 votos a 11.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que “tanques rodeando o STF é um filme de terror”. “Isso se agrava porque não é um fato isolado. Ela vem sequenciada por uma série de ameaças à democracia que tem sido quase que semanalmente, quem sabe, até diariamente. Esse conjunto de fatos, com mais este momento aterrorizador, e no momento em que tanto a Câmara quanto o Senado votam leis que não são de agrado do Executivo, é absolutamente aterrorizante. Todos aqui, mesmo os que defendem o governo, que sei que são democratas, proponho que façamos um coro de protesto veemente contra esses acontecimentos de hoje. É esse o depoimento de quem viveu essa época é que gostaria de deixar neste momento, apesar de saber que a nossa CPI é sobre a pandemia. Esse momento não pode passar em branco” afirmou.

Governista, o senador Jorginho Mello (PL-SC) disse, em tom de deboche: “Agora estão assustados, dizem que a democracia está em risco. Que isso, gente. Vamos trabalhar. Isso é uma demogagia barata, é bancar o salvador da pátria. Medo dos tanques apontados? Tem gente aqui no Congresso que tem o rabo sujo”. Omar Aziz rebateu a declaração do membro da CPI e criticou “aqueles que estão amenizando essa situação”. “Não minimizem o que aconteceu hoje. Eu escutei o discurso de todo mundo. Não minimizem, não façam isso com a memória e com a história de cada parlamentar que está aqui, independentemente de pensamentos, de tendência política. Democracia, sim. Intimidação, não. Democracia, sim. Golpe, não”, afirmou.

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Política – Jovem Pan

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Autoria do texto: Jovem Pan.
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