Empresário diz que não investiu em propaganda de ivermectina, mas bancou anúncio publicado em jornais

Postado em 11 de agosto de 2021

Em seu depoimento à CPI da Covid-19, o diretor-executivo da Vitamedic Indústria Farmacêutica, Jailton Batista, reconheceu que a ivermectina, produzida por sua empresa, não tem eficácia para o tratamento de pessoas infectadas com o novo coronavírus, mas, mesmo assim, admitiu que a farmacêutica bancou a propaganda da associação Médicos Pela Vida em defesa do chamado “tratamento precoce”, uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro, desde o início da crise sanitária. Em um intervalo de um ano, as vendas deste medicamento por parte da companhia aumentaram 1.105%.

Segundo Jailton Batista afirmou aos senadores, o faturamento da Vitamedic aumentou mais de 29 vezes entre 2019, antes da pandemia, e 2020, já durante a crise sanitária. Neste intervalo de tempo, as vendas saltaram de R$ 15,7 milhões para R$ 470 milhões. Ele alegou que a empresa apenas atendeu a uma demanda do mercado, mas a organização gastou R$ 717 mil com um informe publicitário de meia página, publicado em oito jornais de circulação nacional no fim de fevereiro, sem nenhum estudo que atestasse a eficácia do fármaco. Além disso, a Merck, detentora da patente da ivermectina, emitiu uma nota pública na qual afirma que o vermífugo é ineficaz para o tratamento da Covid-19. “À Vitamedic foi solicitada o apoio da Associação Médico Pela Vida no patrocínio de um documento técnico-médico e ela o fez”, disse o depoente. “Foi a publicação nos jornais do manifesto da associação que a empresa assumiu o custo da veiculação”, acrescentou.

Em vários momentos da sessão, os senadores criticaram a atuação da Vitamedic. Para o relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL), “vai sobrar para a indústria o pagamento das óbvias indenizações” às vítimas de pessoas que foram tratadas com a ivermectina. “Alguém vai ter que pagar esses custos. Como ela [Vitamedic] não pode dimensionar qual foi o impacto [das falas do presidente Jair Bolsonaro na defesa do medicamento] na evolução da venda e da produção [do medicamento], vai sobrar para a indústria o pagamento dessas óbvias indenizações. Essa terá que ser uma das consequências desta CPI. Talvez por isso, tenhamos que ouvir, na sequência, o proprietário da empresa. Isso é fundamental”, disse o emedebista.

Argumento semelhante foi utilizado pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). O parlamentar, eleito pelo Amazonas, sugeriu que a Defensoria Pública do Estado acolha famílias que perderam parentes para a doença e entre com um pedido de indenização contra pessoas que receitaram ivermectina e levaram pacientes à morte. “Peço que as famílias dos que perderam entes queridos sejam acolhidos pela Defensoria Pública e entrem com processo de indenização contra pessoas que induziram à morte os pacientes que falecerem no meu Estado, na cidade de Manaus. Isso é claro, é uma coisa que sabíamos há tempos mas ninguém dava atenção para a gente. O papel da Defensoria é esse. É simples: é só pegar os nomes dos pacientes, checar por quem foram atendidos, e a Defensoria fazer uma ação em nome dessas pessoas que foram medicadas, principalmente as que estão com problemas hepáticos por terem tomado em excesso a medicação”, afirmou Aziz.

Bate-boca 

O depoimento também foi marcado por um bate-boca entre a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) e o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), no momento em que a parlamentar do Cidadania presidia a sessão. Em seu tempo de fala, Heinze, que assumiu a titularidade da comissão após a ida de Ciro Nogueira para a Casa Civil, tentou exibir um vídeo do início da pandemia no qual o senador Otto Alencar (PSD-BA), membro da CPI, dizia acreditar que a ivermectina pudesse ter algum efeito no tratamento da doença. O governista no entanto, omitiu a data da afirmação de Alencar. Eliziane impediu a exibição do material e pediu que Heinze respeitasse o colega de Parlamento e não fosse desonesto intelectualmente. “Esse áudio é do início da pandemia. A ciência evolui. As pessoas achavam que a Terra era plana. A ciência mostrou que não é”, disse Gama, acrescentando que o parlamentar do PP dissemina notícias falsas na comissão. “Não me chame de desonesto”, rebateu o senador gaúcho, aos gritos.

Fonte do artigo:

Política – Jovem Pan

Leia o artigo original clicando no link abaixo:

Read More

Trechos extraídos ou texto replicado na íntegra do site abaixo.
Autoria do texto: Jovem Pan.
Data de Publicação: 11 de agosto de 2021.
Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

Aviso Legal

A COJAE acredita que a propagação de informações relevantes e responsáveis pode ajudar a sociedade. Por isso, mobilizou sua equipe editorial em prol de confrontar as diferentes visões a respeito dos mais variados assuntos, a fim de difundir somente informações que acredita serem baseadas em fatos.
Os conteúdos aqui ora publicados estão livres do alarmismo, sensacionalismo e interesse político-ideológico amplamente divulgado pelas grandes mídias, incluindo canais de televisão e gigantes redes sociais que manipulam infielmente os dados.

Trechos extraídos ou texto replicado na íntegra do site abaixo.
Autoria do texto: Jovem Pan.
Data de Publicação: 11 de agosto de 2021.
Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

Publicações Relacionadas

Explore Seus Tópicos Favoritos

Leia mais artigos publicados em nosso blog navegando pelas categorias abaixo. Clique aqui para acessar nosso blog.

Notícias
Direito
Judiciário
Ética
Arbitragem
Editorial
Ideologia
Justiça Federal
Teologia
Todas as Categorias

Selecionadas do editorial

Homenagem da UFPR à memória do Professor René Dotti

A Universidade Federal do Paraná, por sua Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito e o Departamento de Direito Penal e Processual Penal, homenagearão a memória do Professor Titular...

Artigos Relacionados

0 Comentários

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *