Deputados veem ‘guerra de versões’ e dizem que chance de Bolsonaro se filiar ao PP é baixa

Postado em 24 de outubro de 2021

No próximo dia 12 de novembro, o presidente Jair Bolsonaro completará dois anos sem estar filiado a nenhum partido. Quando anunciou sua saída do PSL, sigla pela qual se elegeu nas eleições de 2018, o chefe do Executivo federal prometeu criar o Aliança Pelo Brasil, mas a iniciativa nunca saiu do papel. A pouco mais de um ano da eleição, a cúpula do Progressistas (PP) garante que a legenda desponta como uma das mais cotadas para abrigar o mandatário do país. Os deputados federais, no entanto, veem uma “guerra de versões” e dizem que Bolsonaro só vai se filiar ao PP se estiver “louco”. “De zero a dez, a chance de vir é três”, afirma um aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos expoentes da agremiação.

No início do mês, como a Jovem Pan mostrou, o presidente nacional do Progressistas, André Fufuca (PP-AM), que assumiu o cargo após a ida do senador Ciro Nogueira para a Casa Civil, disse à reportagem que as conversas pela filiação de Bolsonaro avançaram e que 90% do PP apoiava a vinda do presidente da República. Apesar do otimismo, o xadrez da política estadual impõe uma série de obstáculos ao chefe do Executivo federal. A resistência ocorre, sobretudo, no Nordeste. Na Bahia, por exemplo, o vice-governador do Estado, João Leão, é filiado ao Progressistas e compõe a chapa do petista Rui Costa. “Não vejo possibilidade de Bolsonaro se filiar ao PP”, disse Leão em entrevista concedida ao jornal Tribuna da Bahia na última semana. Há, ainda, um grupo de caciques que são contra a aliança porque não pretendem ceder o controle de diretórios a Bolsonaro. Por fim, dirigentes da sigla não estão dispostos a ceder a Bolsonaro a prerrogativa de indicar os candidatos do partido ao Senado nas eleições do ano que vem.

“Bolsonaro só vem para o PP se for louco. Você acha que o Ciro Nogueira vai querer perder o controle do partido? Eu vejo muita conversa ao vento, uma guerra de versões. Tem gente aqui dentro que diz ‘o Bolsonaro vai indicar candidatos para o Senado, mas o palanque nos Estados está liberado’. Para ele subir no palanque de um governador, o governador tem que apoiá-lo, e vice-versa. Você consegue imaginar o PT apoiando o Rodrigo Garcia [vice-governador e candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo]? Não, não é? O mesmo raciocínio se aplica ao Bolsonaro”, provoca um deputado do Progressistas eleito por São Paulo. O parlamentar paulista também ironiza a previsão feita por Fufuca. “Ele [Fufuca] apoia o senador Weverton [do PDT] para o governo do Estado do Maranhão. Como o Bolsonaro vai subir no palanque do partido do Ciro Gomes?”, questiona.

‘Fator radical’ 

Os dirigentes do PP sabem que, uma vez filiado, o presidente da República trará consigo parlamentares eleitos em 2018 na onda de renovação política que transformou o PSL, então nanico, na segunda maior bancada da Câmara dos Deputados. Um interlocutor do senador Ciro Nogueira disse à Jovem Pan que “são grandes” as chances de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) desembarcar na sigla e se tornar, inclusive, “o mandachuva” em São Paulo. Na última eleição, o filho Zero Três recebeu 1,8 milhões de votos e levou com ele nove deputados do PSL. Como uma das prioridades do Progressistas é eleger deputados federais, as lideranças do partido mantêm no radar a possibilidade de abrigar a tropa de choque bolsonarista. Alguns integrantes do partido resistem. “Antes de Bolsonaro chamar o Centrão para o governo, esses radicais passaram dois anos nos atacando, dizendo que ninguém prestava. Não posso achar que nada disso aconteceu e dar tapinha nas costas”, diz um deputado do Nordeste. “A trupe bolsonarista até pode vir, mas não terão identidade partidária. Eles são Bolsonaro”, sentencia um correligionário da bancada sulista.

Fonte do artigo:

Política – Jovem Pan

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Trechos extraídos ou texto replicado na íntegra do site abaixo.
Autoria do texto: André Siqueira.
Data de Publicação: 24 de outubro de 2021.
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